O efeito Nikolas Ferreira

Fenômeno com o do Nicolas é extremamente prejudicial à representação política municipal

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POR TONINHO COELHO

Fica-se feliz em ver que se chegou ao 2° turno das eleições com ordem e paz. No entanto, eu queria mesmo é fazer uma análise sobre as eleições de deputados e senadores, em vista do momento político. Quanto ao senado, foi uma pena que o Carlos Viana não tenha sido eleito, um senador mineiro preocupado com as questões do roubo dos velhinhos do INSS e do STF.

Muitos eleitores, infelizmente, não tiveram o discernimento de utilizar o voto útil na sua escolha, e milhares de votos foram desviados para candidatos que as pesquisas mostravam não terem a mínima chance de se eleger. A eleição de deputados, de um lado, é também muito importante, pois são eles os que estão mais próximos do eleitor. Nesta reflexão, vale a pena analisar a eleição do deputado Nikolas Ferreira do PL que teve mais de três milhões de votos.

Com este resultado, Nikolas se torna um líder político a nível nacional, e pela idade, apenas 35 anos, é um futuro candidato a presidente da República ou a governador de estado. Os deputados, além de legislar e fiscalizar o executivo, passaram a ter ainda o direito de distribuir emendas parlamentares, recursos financeiros destinados à saúde e à infraestrutura, para suas bases eleitorais.

Nikolas, por sua vez, foi votado em quase todas as 853 cidades mineiras, só que as emendas parlamentares são iguais e de mesmo valor para todos os parlamentares, independentemente das suas votações. E ao serem divididas entre as bases eleitorais, diminuem de importância e de valor. Pergunta-se então: quanto de emenda parlamentar Nikolas trouxe para Valadares, em 2026? Uma mixaria!

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Por outro lado, dos 134.368 votos apurados em Valadares, Nikolas teve 57.901 votos, quase 43% do total. Assim, os nossos eleitores, infelizmente, deixaram de votar em candidatos locais para votar em candidatos de fora, e se tivessem mais conhecimento político, dariam ao Leonardo Monteiro uma votação maior que já teve; Roncalli possivelmente seria eleito; Vinicius Diniz não teria tão pouco votos na cidade; e Euclydes Pettersen não perderia as eleições. Com isso, tivemos dois deputados federais eleitos e perdemos representação no Congresso.

Em relação à eleição de deputado estadual, por outro lado, Nikolas trouxe para Valadares, como dobradinha, um deputado estadual de Teófilo Otoni, Ugleno Alves, totalmente desconhecido aqui, que seguramente atrapalhou a votação do Jefferson Madureira, André Merlo e Gilsa dos Santos. Ugleno teve 11.115 votos, superior aos votos da Gilsa e do André. Um absurdo!

Com isso, continuamos a ter um só deputado estadual, e pelo número de eleitores que temos, poderíamos ter no mínimo quatro deputados estaduais, número igualmente de deputados que foram eleitos em Teófilo Otoni.

Fenômeno com o do Nicolas é extremamente prejudicial à representação política municipal e faz nos acreditar da importância do Voto Distrital e da retomada da campanha “Fora os Paraquedistas”. Como diz o escritor Max Rubstein : “infelizmente, falta ao povo educação política e democrática “. Acorda, Valadares!!!

Toninho Coelho

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