O povo, seus governantes e a responsabilidade de escolher

Tohru Valadares escreve sobre as decisões do cidadão e cidadã sobre a política eleitoral

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URNA

Caríssimo ledor (a), quando um governante age com justiça, o povo encontra melhores condições para viver e prosperar. Quando usa o poder para benefício próprio, é o povo que sente as consequências, todos somos responsáveis por nossas ações e os resultados estão atrelados as mesmas.

A Escritura resume essa realidade: “Quando se multiplicam os justos, o povo se alegra, quando, porém, domina o perverso, o povo suspira” (Provérbios 29,2). Por isso, aprender a escolher nossos governantes é uma responsabilidade que não podemos entregar à pressa, à propaganda ou à conveniência.

Para quem crê, toda autoridade existe sob a soberania de Deus, porque ela nasce de sua vontade ou da permissão divina (Romanos 13,1–4). Podemos falar de Sua vontade ou permissão, mas isso não significa que Deus aprove cada decisão de quem governa. A própria passagem apresenta a autoridade como alguém chamado a agir para o bem. Quando um governante pratica a injustiça, não podemos usar a fé para desculpá-lo. Devemos perguntar se ele está cumprindo a responsabilidade que recebeu.

Essa pergunta também se dirige ao povo. Um governante não é o retrato perfeito de todos os cidadãos: há pessoas honestas que sofrem sob maus governos. Ainda assim, os líderes que escolhemos, as atitudes que toleramos e as cobranças que deixamos de fazer revelam nosso grau de compromisso com a vida coletiva. Não basta desejar um governo melhor se continuamos a premiar a mentira, a fechar os olhos para abusos ou a trocar o bem de muitos por uma vantagem pessoal.

O episódio de Jesus e Barrabás nos ajuda a examinar esse perigo. Segundo Mateus, os principais sacerdotes e os anciãos persuadiram a multidão a pedir a libertação de Barrabás; diante da pergunta de Pilatos, ela rejeitou Jesus (Mateus 27,20–26). Aquele julgamento não foi uma eleição, e o Evangelho não afirma que todas as pessoas ali tinham a mesma motivação. Mas a cena nos faz pensar na força da influência sobre uma escolha.

Quantas vezes ouvimos apenas quem confirma nossa preferência? Quantas vezes nos acostumamos tanto com o que é ruim que passamos a desconfiar de qualquer possibilidade de mudança?

É preciso aprender a escolher. Isso exige conhecer a trajetória de quem pede nossa confiança, observar suas atitudes e avaliar as consequências de suas decisões para toda a comunidade. Exige também disposição para mudar de opinião quando os fatos mostram que erramos.

Apoiar alguém não nos obriga a defender tudo o que essa pessoa faz. Quando sabemos que um político prejudica os outros e, ainda assim, justificamos seus atos porque recebemos algum benefício, nossa escolha deixa de afetar apenas a nós. Ela alcança famílias que dependem de serviços, proteção e oportunidades.

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Jesus ensinou que a autoridade deve ser exercida como serviço, e não como domínio (Marcos 10,42–45). Também nos ensinou a reconhecer as pessoas por seus frutos (Mateus 7,16–20). Esses ensinamentos nos oferecem perguntas mais úteis do que a simples defesa de uma sigla: essa liderança serve ou se serve? Suas ações produzem cuidado e justiça ou deixam o povo a suspirar?

Mas a mudança que cobramos precisa aparecer em nosso próprio testemunho. Não podemos exigir honestidade dos governantes e mentir quando a verdade nos custa algo.

Não podemos condenar privilégios enquanto procuramos um favor indevido para nós. O eleitor comprometido com o bem comum não é aquele que nunca erra; é aquele que reconhece seus erros, procura se informar, cobra de quem apoiou e se recusa a tratar a injustiça como normal.

Tenhamos fé, portanto, sem abrir mão da responsabilidade. Oremos por nossos governantes, acompanhemos suas ações e cuidemos das pessoas afetadas por elas. E, antes de repetir um apoio político, partidário ou não, façamos uma análise sincera: estou defendendo os mesmos valores que exijo dos políticos escolhidos por mim? Estou escolhendo pensando apenas em mim ou também no povo que viverá as consequências dessa escolha?

É com essa honestidade, vivida em nossas decisões e em nossos atos, que podemos avançar, não se trata mais sobre centrão, direita ou esquerda, trata-se de todas as pessoas de bem necessitadas de uma maior sensibilidade, antes de exigir honestidade que possamos ser ainda mais honestos. (Entre em nosso Instagram e sugira um tema para os próximos artigos e concorra a brindes; @teologotohru). Paz e Bem.

Sobre o autor

TOHRU VALADARES bacharel em Teologia, Filosofia, Licenciado em Ciências da Religião, Psicólogo, Pós-graduado em conselhamento Cristão e Capelania, mediação de conflitos, filosofia Religiosa e ecopedagogia.

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