Política também é saber não ser candidato; ou, as razões pelas quais decidi votar em quem vou votar!

Jamir Calili analisa a campanha eleitoral 2026 e explica porque não foi e nem é candidato a cargo eletivo neste ano

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Atualizado em sexta-feira 2, outubro 2026 às 04h47

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Jamir Ca

POR JAMIR CALILI

Muitas pessoas me perguntam por que não sou candidato a deputado estadual nesta eleição de 2026. Já disputei esse cargo duas vezes, estou no segundo mandato de vereador e construí, ao longo dos últimos anos, uma votação e uma presença política que naturalmente alimentariam essa possibilidade. A resposta, porém, passa por uma ideia que considero essencial: na política, é preciso equilibrar projetos pessoais e projetos coletivos.

Ninguém é candidato de si mesmo. Mas também ninguém deve ser candidato sem querer ser. Quem entra na política carrega sonhos, vaidades, ambições, senso de missão e projetos pessoais. Fingir que tudo é puro desprendimento seria ingenuidade. A política é feita por seres humanos. O problema não está em ter interesses pessoais; está em ser incapaz de colocá-los em perspectiva quando o interesse coletivo exige outra escolha.

Foi com essa lógica que, depois da eleição de 2024, reuni algumas pessoas próximas para discutir o nosso futuro político. Colocamos na mesa possibilidades, resultados eleitorais, projetos em andamento, alianças e, sobretudo, aquilo que poderia produzir algo de bom para Governador Valadares. Política não pode ser apenas uma sequência de candidaturas. Precisa ser construção.

Em 2024, apoiei Renato Fraga para prefeito porque, naquele momento, considerei que sua trajetória na saúde dialogava diretamente com aquilo que eu entendia ser o maior desafio da cidade. Não vencemos a eleição. Ainda assim, olhando para trás, continuo entendendo a lógica daquela decisão. Em cidade, o debate ideológico tem limites muito claros. Município precisa de gestão, capacidade de execução, equipes competentes e resultados. O resultado de uma escolha puramente ideológica está ai, a olho nu para todos nós.

Para 2026, fizemos o mesmo exercício. E, no campo estadual, concluí que lançar uma nova candidatura poderia fragmentar um projeto político já instalado e com atuação concreta na região. Enes Cândido, (nº de urna 55678), exerce mandato na Assembleia Legislativa desde 2023 e há comprovação pública de destinação de recursos para Governador Valadares, especialmente para a saúde, além de equipamentos, infraestrutura e apoio a instituições locais. Na própria ALMG, ele tem destacado a saúde como eixo central de sua atuação.

Durante cerca de um ano, conversamos muito. Acertamos diferenças de disputas anteriores, alinhamos prioridades e construímos compromissos sobre temas que considero importantes: atenção às pessoas com doenças raras, fortalecimento do projeto universitário, esporte universitário, desenvolvimento urbano e outras pautas que venho defendendo. Não foi uma aliança entre iguais, muito menos uma adesão acrítica. Foi um ajuste entre lideranças que decidiram caminhar juntas em torno de projetos concretos.

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Renunciar a uma candidatura também é uma decisão política. Se eu entendesse que uma candidatura minha ampliaria as possibilidades de representação de Valadares, eu disputaria. No cenário que avaliamos, entretanto, minha decisão foi contribuir para um projeto já em curso, em vez de lançar uma candidatura própria.

Isso é possível porque, quando entrei para a política, procurei criar algumas travas para preservar minha liberdade. Busquei uma profissão que me garantisse independência financeira, investi em formação e procurei conhecer a administração pública por dentro. Isso me permite atuar sem depender da política para organizar minha vida e, portanto, com mais tranquilidade para dizer sim quando concordo e não quando discordo.

No campo federal, também construímos uma composição. Élio Lacerda está registrado como candidato a deputado federal pelo PP, número 1133. Sua trajetória reúne passagem pela Polícia Militar e experiência de gestão na Fundação Percival Farquhar, mantenedora da Univale, onde exerceu funções de direção. Essa aproximação também nasceu de uma convergência sobre gestão, desenvolvimento local e fortalecimento de projetos para a cidade.

Política não é a procura de pessoas perfeitas. Pessoas perfeitas não existem. Também não acredito nessa ideia de que um político deixou de prestar porque, em determinado momento, não fez exatamente aquilo que alguém esperava dele. Conviver democraticamente é aceitar que ninguém pensa igual o tempo inteiro. A vida pública é feita de escolhas possíveis, de convergências parciais e de divergências que precisam ser administradas.

Por isso, neste domingo, quis explicar uma decisão. Não sou candidato a deputado estadual porque, neste momento, entendi que poderia contribuir de outra maneira. Foram essas as escolhas que fiz e essas são as razões pelas quais as fiz. Cada eleitor, naturalmente, fará as suas próprias escolhas. A todos que acreditam no projeto político que estamos construindo, endossar esses candidatos é fortalecer nossa caminhada. Boas eleições a todos!

Sobre o autor

Jamir Calili, professor da UFJF, vereador, membro da Academia Valadarense de Letras, na cadeira de Machado de Assis.

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